Motivada em sua carreira a trabalhar primariamente com hardware, Sofia cria tensões entre o high-tech e o low-tech, colocando em cheque o qye é comumente entendido como tecnológico. Por meio de manipulação de luz, de velas a luminárias que respondem ao movimento da performer, a tecnologia ressurge neste solo como a reinvenção do velho e a possibilidade de gerar sensações pela mágica, enquanto os campos simbólicos do feminino e do prazer dão a tônica do discurso político-afetivo abordado pela performance, que perpassa a sedução, o discurso científico, o ritual e a auto-reflexão sobre o corpo.
Neste solo, oito lâmpadas incandescentes e efeitos de som são controlados pela posição da performer, utilizando um sensor MS Kinect v2.
3 catástrofes sobre o prazer apresenta quatro solos de dança e performance atravessados por relações técnicas e tecnológicas, e desafiados a abordar o prazer em algum recorte de sua abrangência. Cada um dos solos, que se unificam apenas pelo recorte temático e pela discussão relacional de tecnologia e artes da cena, evidencia as pequenas catástrofes e acidentes que compõem a busca por prazer, bem como a permanência em seu estado - nunca pleno - e a queda que procede a euforia. Assim, colocando a tecnologia em cena como meio de trocar afetos sobre o prazer, que sempre negocia o corpo como estrutura e construto, os performers questionam aquilo que os punge por meio da materialidade e da virtualidade.
Elenco, Coreografia e Direção: Sofia Galvão
Direção Musical: Iuri Brainer.
Trilha Sonora Original: Iuri Brainer e Samuel Nóbrega.
Cenário: André Moraes.
Concepção Tecnológica, Produção e Edição de Vídeos: Ricardo Scholz.
Fotografia e Filmagem: Caranguejo Produtora (Duda Carvalho e Humberto Reis).
Solo #1 do espetáculo "3 catástrofes sobre o prazer".
Teatro Hermilo Borba Filho, Recife/PE, 20 e 21/05/2017.
Público Total: 145 espectadores.
Duração Aproximada: 13 minutos.
Software: marine, LightJams, Reaper.